9.8.07

Adeus, outono!




E finalmente as folhas secas de outono foram varridas. Que outono longo! Estação estranha essa que não é quente nem fria, não tem flores e nem neve. Não tem cor, mas também não é escura. Simplesmente, uma estação de passagem.

Essas folhas de outono encobriram meu caminho por tempo demais para uma estação, que me até acostumei. Pisar naquele monte de folhas já era tão confortável, tão macio, que nem precisava calçar meus sapatos, o que incorria num grave risco, pois essas inocentes e fofas folhas poderiam estar encobrindo um buraco, um fosso, em que eu poderia cair e me machucar feio.

Enquanto meus pés pisavam naquele fofo tapete e se sentiam confortáveis nele, minha cabeça lutava contra um vendaval constante, que parecia não acabar nunca, que parecia querer me levar junto, que parecia que ia derrubar a minha casa, o meu corpo e os meus sonhos.

E depois desse tempo, de um outono tão longo, esse mesmo vendaval acabou por limpar o meu caminho, varrendo para longe as folhas secas. O caminho se mostrou para mim, nítido, claro, limpo, sem pedras, galhos ou insetos que pudessem atrapalhar a trilha. O vento amenizou e a brisa voltou a soprar, fresca e suave. Até o sol surgiu, limpando também o céu.

A primavera chegou, pulando o meu inverno, que tanto tempo esteve encoberto pelo outono. Que venham as flores!

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